O que é a Hiperfosfatemia?
A concentração plasmática de fósforo (Pi), que geralmente conserva-se normal nos primeiros estágios da Doença Renal Crônica (DRC), aumenta progressivamente nos estágios mais avançados desta enfermidade. A queda da função renal (taxa de filtração glomerular abaixo de 25 ml/minuto) causa consequentemente retenção de várias substâncias que normalmente são excretadas pelos rins, incluindo o fósforo, assim levando a hiperfosfatemia.
A hiperfosfatemia na DRC caracteriza-se pela concentração plasmática de fósforo > 5,5 mg/dL e é resultante de três fatores principais: a ingestão excessiva de P, a redução da excreção renal ou dos métodos dialíticos e a remodelação óssea.
A hiperfosfatemia está associada com a morbimortalidade nos pacientes com DRC, principalmente relacionadas aos eventos cardiovasculares.
A hiperfosfatemia e/ou retenção de P estão entre os fatores que contribuem para o desenvolvimento do hiperparatireoidismo secundário (HPS) nos pacientes com DRC, (o HPS está relacionado à hiperfosfatemia, a hipocalcemia e o déficit de vitamina D). O acompanhamento dos níveis de hormônio da paratireoide (PTHi) são necessários, pois o HPS muitas vezes mostra-se resistente ao tratamento clínico, inviabilizando a diminuição do P sérico, mesmo com a restrição dietética e a utilização de quelantes.
Como controlar o fósforo?
As estratégias que auxiliam o controle de P sérico são: diálise adequada, restrição dietética de fósforo e utilização de quelantes de P. Os métodos dialíticos (hemodiálise e diálise peritoneal) não são muito eficientes na remoção do fósforo.
A dieta desses pacientes deve ter um controle especial, pois a ingestão de P na maioria das vezes é excessiva (consumo de proteínas, leites e derivados, e alimentos processados que contêm aditivos à base de fósforo).
Geralmente a absorção intestinal de P é maior que a sua remoção pela hemodiálise, mesmo nos pacientes que tenham uma ingestão adequada de P. Deste modo, a prescrição de quelantes juntamente com as refeições se torna uma ferramenta importante e fundamental para diminuir essa absorção intestinal.
Sendo assim, a orientação dietética e o uso adequado de quelantes de fósforo são à base do tratamento da hiperfosfatemia e o sucesso depende fundamentalmente do comprometimento e participação do paciente.
Uso de quelantes de fósforo
Analisando as limitações associadas com a restrição de Pi e com a remoção do mesmo pela diálise, os quelantes são necessários para quase todos os pacientes em diálise.
Nas refeições em que a quantidade de fósforo é maior, o quelante deverá ser prescrito em maior quantidade também. Já em refeições em que não tem alimentos ricos em fósforo, não há necessidade de quelante.
Tipos de quelantes de fósforo
Quelantes de P à base de cálcio são efetivos, mas não devem ser usados na presença de hipercalcemia persistente e recorrente ou quando há calcificação vascular (PTHi muito elevado). Nestes casos, há outras opções de quelantes isentos de cálcio. Os quelantes à base de cálcio mais comuns são Carbonato de Cálcio e Acetato de Cálcio.
| PRINCIPAIS QUELANTES DE P E SUAS CARACTERÍSTICAS | |
| Quelantes | Vantagens |
| Carbonato de cálcio
(40% cálcio elementar) |
Menor custo |
| Acetato de cálcio
(25% cálcio elementar) |
Maior poder quelante com menor oferta de cálcio que o carbonato de cálcio |
Opção de Quelantes de Fósforo no mercado:
- Carbonato de Cálcio
Calciolite: Confira Aqui
- Acetato de Cálcio
Acetacal: Confira aqui
Posologia
Carbonato de cálcio: média de 3-4 comprimidos em refeições maiores e 1-2 em refeições menores.
- 1 comprimido quela aproximadamente 20 a 30mg de fósforo.
O quelante deve ser tomado JUNTO com as refeições, ou, no máximo, 15 MINUTOS depois de cada refeição ou lanche rico em fósforo.
Acetato de cálcio: média de 2 a 3 comprimidos em refeições maiores e 1 em refeições menores.
- 1 comprimido quela aproximadamente 40 mg de fósforo.
Os quelantes devem ser tomados JUNTO com as refeições, ou, no máximo, 15 MINUTOS depois de cada refeição ou lanche rico em fósforo.
Referências
BRITO, Antônia, et al. Conhecimento de hiperfosfatemia e quelante de fósforo em hemodialíticos. BRASPEN J, São Luís / MA; 31 (4): 322-8, set., 2016.
CARVALHO, Aluizio; CUPPARI, Lilian. Controle da hiperfosfatemia na DRC. J Bras Nefrol. Diretrizes Brasileiras de Prática Clínica para o Distúrbio Mineral e Ósseo na Doença Renal Crônica; 33 (2): 189-247, 2011.
Hiperfosfatemia na Insuficiência Renal Crônica – Protocolo Clínico de Diretrizes Terapêuticas. Portaria SAS/MS n° 225, maio, 2010.


